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sábado, 27 de março de 2010

Soneto sem título n°1

Quando eu lhe vi passar doce e bonita
Juro-lhe dama chorei de montão
Senti um vazio nesse meu coração
Senti-me só, senti raiva da vida

Pois eras dona do mundo, de mim
Pios eu não a tinha a meu lado; sonhei
Contigo, oh anjo divino dos céus
Contigo dama que me faz sofrer

Já é chegada a noite dos perdedores
Já é chegada a hora de não sofrer
Já é chegada a hora de não chorar...

Lembrai linda dama de meu pesar
Lembrai as lágrimas que me fez verter
Lembrai do sonho que por causa de ti não pude viver

André Luiz Abdalla Silveira

domingo, 26 de abril de 2009

Hino nº 2 (Soneto à Literatura)

Digam para o grego e para o romano
Digam a Afrodite tudo o que sinto
Falem para Baco de nosso vinho
Falem de meu amor ao mundo profano

Diga a Virgílio e para Dirceu
Diga para Inês e para Marília
Digam para os homens que minha lida
 E meu propósito não pereceu

Cantai os sonetos d'Elmano e Camões
Cantai meu amor pela arte de escrever
Cortai da prosa insana os jargões

Cortai meus vícios... cortem o meu ser
Cortai meu tudo, cortem meus grilhões
Findai este mundo, finde o meu sofrer

André Luiz Abdalla Silveira

sábado, 14 de março de 2009

A morte

E é mais uma vez o frio gélido a atormentar-me
E um leito gelado e duro descanso
Nunca mais abrirei os olhos, nunca verei você
Vestida numa roupa feita de alvo pano

Nunca mais desejarei você numa noite de verão
Nunca mais irei lhe ver nua embelezando a lua
Nunca maisverei você; preso num escuro porão
Estou morto, jazendo na mais fria e escura cova

Nunca mais verei meus meus campos, nunca verei as ondas
Nunca mais verei a neve esbranquiçando o impuro chão
Nunca mais verei maçãs, nunca verei as onças

Só algo me alegra, e é o fim deste grilhão
Que aprisiona a vida* que agrilhoava minh'arte
Não mais verei você a sombra d'um Pinheirão

*Sentido metafísico empregado

André Luiz Abdalla Silveira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sonho de uma noite veranil

Um dia sonhei com você
Tão bela e triste, não parava de chorar
Um dia sonhei, e o sonho
Era tão sombrio quanto não amar você

Um dia eu sonhei com a musa
Ela estava tão bela, estava linda
Nesse dia eu sonhei, e que sonho
Ela estava comigo, ela era minha

Você foi o melhor sonho que tive
Foi a melhor coisa que me ocorreu
Foste o paraíso onde nunca estive

Foste o amor que não amei
Foste o sonho que não sonhei
Foste o verão que não vivi

André Luiz Abdalla Silveira

Pranto

Tão calmo e agitado é o teu amor
Ignoro ao mundo, percebo a ti
Chorando, talvez de saudades ou dor
Mas não chores musa, pensa que

Uma dama que solitária chora
De nada vale, todos a ignoram
Coração reclama e se depara
Com o lugar onde a tristeza mora

Teu rosto em prantos quero tocar
Teus lindos olhos desejo olhar
E tua linda boca desejo beijar

Não quero as sombras de um amor sofrido
Já me bastam as chagas com que tenho vivido
Já não tenho, melhor mesmo foi ter partido

André Luiz Abdalla Silveira

Soneto da Musa (Soneto à musa)

Seus olhos cheios de água nunca esquecerei
O brilho em sues olhos refletiam a paixão estampada em seu peito
Seus olhos verdes me atríam, eu sempre lembrarei
Teu queixo, boca, leito

Tuas lágrimas traziam o cheiro de boa nova
Sinto teu peito, quero tua vida
Quero teu sorriso no qual vigora
Felicidade, amor e vida

O mestre disse, aqui repito
"Amor é não contentar-se de contente"
Se assim queres, aqui fico

Aonde não haja remetentes entre nós
Aonde o muito seja pouco, nós viveremos
Aonde possamos viver alegremente

André Luiz Abdalla Silveira

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Marcha sobre mim

Como um mendigo sedento de sentimentos
Eu nasci para a solidão
Eu nasci para seguir os ventos do norte
Eu nasci da paixão por ti

Como um andarilho querendo viver o seu destino
Eu vivo da solidão desses dias
Eu vivo a seguir os ventos do sul
Eu vivo do amor pelas minhas rimas

Sou um coitado que anda pelo prazer de andar
Eu vivverei das lembranças do passado
Eu viverei do ar do leste

Sou um doete que vivve das próprias chagas
Eu morrerei afogado num mar de lembranças
Eu morrerrei das pragas do oeste

André Luiz Abdalla Silveira

Soneto para ti

Sofro, pois não tenho minha musa, meu anjo
Você, maltratou-me e matou me de dor
Você que é a mulher que eu mais amo
Agora me deixas sozinho morrendo de dor

É tanto que sofro que não mais vivo
É tanto que amo que já me despeço
Não quero teu corpo, nada lhe peço
Além de carinho nesse corpo já tão sofrido

Eu vivo do nada, do nada que vives
Na vida não lhe quero mais apenas sofro
Sabe que sempre fora o meu calcanhar de Aquiles

Agora seguro, reprimo meu choro
Quando lhe vejo sorrindo com outro
Não me arrependo de nada, apenas descançoao relento, esquecido pela sombra do tempo

André Luiz Abdalla Silveira

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sonnet of Sadness

I want to find my way to the heaven
But I know I may not find it
I've gotta stop complaining on the others
And start noticinhg my own mistakes

I want to find a way to you
Help girl, help me muse
To find the happiness I may not deserve
To find the death I won't refuse

I want to see your naked body
I want to see the wind blowing your golden hair
I want to be your lover, your boy

I'm living in the hell without you 
But I'm tring to enjoy my chances
Of being at your side through all eternity

André Luiz Abdalla Silveira

Eu

Eu, que vivo de um amor paradoxal
Eu, que vivo no marasmo de uma vida torta
Me sinto submerso de modo letal
Me sinto agora batendo na porta da morte

Eu, aquele que despensaste ontem
Eu, aquele que não sabe mais viver
Agora sente vontade de morrer
É mais um traste correndo mundo afora

Vida injusta, aqui me despeço
Sem dó nem saudade daqueles que ficam
Apenas com a dor de ficar sem você

Recebo da morte um abraço
Em seu aconchego, aqueles que migram
Que saem da vida por causa de ti

André Luiz Abdalla Silveira

sábado, 3 de janeiro de 2009

Foste

Um horror me mata, me arruína
Me aniquila por estar se você
Por ficar sem minha heroína*
Com uma musa porém sem vosmecê

Foste a luz de um inverno sombrio
Foste a cor das minhas noites
Foste a estrela que apagou meu brio
Foste a criatura que inspirou meus motes

Foste a pessoa que me amou e me odiou com mais intensidade
Foste a mulher pela qual eu me mataria
Foste a divindade que eu mais adorei

Foste o lugar onde vi a felicidade
O lugar aonde certamente eu viveria feliz
O lugar aonde gostaria de morrer

André Luiz Abdalla Silveira

*feminino de herói

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Soneto de ti

Eu adoro a madrugada taciturna
Quando os meus pensamentos se esfumaçam
Adoro as vidas que se acabaram
Por causa de um amor e tanta ternura

Eu adoro o teu corpo tão nú, tão virgem
Adoro tudo o que te cerca, ó musa
E adoro tudo o que te adorna, ó virgem
Adoro o que te faz tão pura

Adoro a lua ditando seu ser
Adoro a noite que te ilumina
E me faz ter vontade de viver

Mas quando tua luz não for minha guia
Quando me deixardes sofrer sozinho
Olharei para a lua e lembrarei de ti a dançar

André Luiz Abdalla Silveira

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O soneto da morte

Eu escrevo e retrato minha dor
Num cantinho isolado em casa
No teu sorriso o fim d'um torpor
Em um mundo separado de tudo

Escrevo-te mas sinto-me melhor
Ao perceber minha vida saindo
Deste corpo marcado pela dor
Partindo agora rumo ao paraíso

Ó virgenzinha minha, não me impessas
De andar pelos sonhos teus e morrer
Por entre seus seios enquanto choras

Estou fadado a viver sem você
Mas agora vivo por entre as chamas
Da morte que eu sempre desejei a mim

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O soneto da Desilusão

Sinto as fibras de meu corpo ruírem
Sinto minha vida abandonando-me
Mais pensai, ó virgem de meus sonhos que
Nosso amor ainda tem salvação

Sinto minha cabeça parar de
Pensar em você mas lembrando-me
De teu corpo enrugado, ó virgem minha
Sou seu, não nego; da morte, não fujo

É isso que digo; é disso que falo
Que o mel que alimentou-me hoje me
Destrói por dentro, me mata de dor

Hoje eu paro para pensar se foi
Deveras bom o momento de ver-te
Ou se foi apenas um momento bom no meio de tanto sofrimento

André Luiz Abdalla Silveira

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um soneto de paz

O que pensas em tua vida se não,
Em ti mesmo e nas coisas que te cercam?
Não buscas ao menos uma solução,
Aos problemas que assolam o mundo?

Não vês o teu mundo indo para o caos?
Ignoras por acaso que o teu fim,
Depende do rumo que tomas hoje?
Mas não pense que esse caso acabou.

A caridade veio para salvar,
Mas só quem quer ser salvo pela luz,
De um futuro glorioso por vir.

Agora só o teu amor pode tirar-te
De um futuro frio, sombrio, escuro
E deixar sobre a luz do porvir

André Luiz Abdalla Silveira

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O soneto da Guerra

A guerra que glorifica os heróis
Que mortifica as pessoas
É a mesma guerra que destrói seus lares
A guerra que corrói seu mundo

Essa guerra que assisto não é
Uma guerra qualquer onde
Morre-se e vive-se pelo que é
Mas sim, uma guerra onde

As ineqüidades reinam no escuro
Nas trevas de mais um bombardeio
Tudo por causa de um ódio maduro

Crianças, mães choram a meio tom
Não querem entre si, um grande muro
Querem apenas o cheiro da vida

André Luiz Abdalla Silveira