quarta-feira, 15 de abril de 2009

Se ela morresse amanhã - Lira II

Sinto o meu corpo esfriando lentamente
Os horrores da vida me acometem todos jontos
Sua ausência, sua doença, sua morte
Eu não mais vivo; alegrem-se meus inimigos
Apenas vegeto submerso em tuas lembranças

Sinto a minha vida se esvaindo cruelmente
Sinto o meu pranto secando rapidamente
Não há mais vida neste meu corpo residindo
Não há mais cor que ainda esteja brilhando em meus olhos
Há apenas o rastro de um pobre infeliz

Essa dor da vida que se mostra em meu pranto
É a dor de um relez homem que sofre e sonha
É a dor de um pobre homem que te acompanha
Que te acompanhava quando ficavas nos cantos
A chorar de dor ou qualquer sentimento fugaz

André Luiz Abdalla Silveira

sábado, 14 de março de 2009

Se ela morresse amanhã - Lira I

Se ela morresse amanhã
Quanta dor no peito eu sentiria
De amores por ela eu então morreria
Seus lábios de anjo eu nunca mais beijaria
Se ela morresse amanhã

Neste céu não haveria mais alegria
As brisas não mais me inspirariam
As ninfas eu nunca mais cantaria
Minha poesia seria sempre um grito de agonia
Se ela morresse amanhã

Mas essa dor do peito que tira a vida
Viveria pra sempre em meu corpo
Invadiria apenas um pobre morto
Que amou sua musa e não a vida
Se ela morresse amanhã

André Luiz Abdalla Silveira

A morte

E é mais uma vez o frio gélido a atormentar-me
E um leito gelado e duro descanso
Nunca mais abrirei os olhos, nunca verei você
Vestida numa roupa feita de alvo pano

Nunca mais desejarei você numa noite de verão
Nunca mais irei lhe ver nua embelezando a lua
Nunca maisverei você; preso num escuro porão
Estou morto, jazendo na mais fria e escura cova

Nunca mais verei meus meus campos, nunca verei as ondas
Nunca mais verei a neve esbranquiçando o impuro chão
Nunca mais verei maçãs, nunca verei as onças

Só algo me alegra, e é o fim deste grilhão
Que aprisiona a vida* que agrilhoava minh'arte
Não mais verei você a sombra d'um Pinheirão

*Sentido metafísico empregado

André Luiz Abdalla Silveira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sonho de uma noite veranil

Um dia sonhei com você
Tão bela e triste, não parava de chorar
Um dia sonhei, e o sonho
Era tão sombrio quanto não amar você

Um dia eu sonhei com a musa
Ela estava tão bela, estava linda
Nesse dia eu sonhei, e que sonho
Ela estava comigo, ela era minha

Você foi o melhor sonho que tive
Foi a melhor coisa que me ocorreu
Foste o paraíso onde nunca estive

Foste o amor que não amei
Foste o sonho que não sonhei
Foste o verão que não vivi

André Luiz Abdalla Silveira

Vida ou Morte

Da Vida desejo os beijos
Que outrora me deixavam alegre
Da Morte desejo os leitos
Onde outrora chorava sozinho

Só quero da Vida os sorrisos
Que regiam cada noite de luar
E só desejo da Morte o pranto
Que me acalmava na hora de lhe deixar

Só quero da Vida os sonhos
Os sonhos em que eu era feliz
E só quero da Morte os cantos
Da casa onde outrora eu tive você

Só quero da Vida os lábios
O portal a uma vida de amor
E só quero da Morte os  seios
O portal a uma vida de ardor

E por fim, da Vida desejo os olhos
Que por tantas vezes comtemplei
E da Morte desejo a vida
Que por tantos anos eu perdi

André Luiz Abdalla Silveira

Pranto

Tão calmo e agitado é o teu amor
Ignoro ao mundo, percebo a ti
Chorando, talvez de saudades ou dor
Mas não chores musa, pensa que

Uma dama que solitária chora
De nada vale, todos a ignoram
Coração reclama e se depara
Com o lugar onde a tristeza mora

Teu rosto em prantos quero tocar
Teus lindos olhos desejo olhar
E tua linda boca desejo beijar

Não quero as sombras de um amor sofrido
Já me bastam as chagas com que tenho vivido
Já não tenho, melhor mesmo foi ter partido

André Luiz Abdalla Silveira

Soneto da Musa (Soneto à musa)

Seus olhos cheios de água nunca esquecerei
O brilho em sues olhos refletiam a paixão estampada em seu peito
Seus olhos verdes me atríam, eu sempre lembrarei
Teu queixo, boca, leito

Tuas lágrimas traziam o cheiro de boa nova
Sinto teu peito, quero tua vida
Quero teu sorriso no qual vigora
Felicidade, amor e vida

O mestre disse, aqui repito
"Amor é não contentar-se de contente"
Se assim queres, aqui fico

Aonde não haja remetentes entre nós
Aonde o muito seja pouco, nós viveremos
Aonde possamos viver alegremente

André Luiz Abdalla Silveira